
Já tinha avisado o Rui Calafate que ia escrever sobre isto. O Rui escreveu um post no seu blog e depois na briefing, a propósito da "fonte próxima da direcção do Sporting" que, aparentemente, induziu a Lusa em erro, ao atribuir as razões da dispensa de Domingos Paciência a contactos com o FCP. No caso, o Rui defende a identificação da fonte pela Lusa.
Mas não é sobre esse tema que eu quero falar.
Do que discordo, em ambos os textos do Rui Calafate, é da sua utilização do termo "spinning" e "spin doctor", associando-os à transmissão de mentiras, falsidades e difamações.
É uma associação recorrente, e a vox populi gosta de associar as chamadas agências de comunicação e os chamados assessores de imprensa a práticas pouco éticas. Não nos cabe a nós, profissionais, cavalgar nessa onda.
Acontece que o trabalho de mentir, falsear e difamar não corresponde ao termo. Os spin doctors, de que o nosso antepassado Edward Bernays é o expoente máximo, não mentem, trabalham a informação "de forma criativa", com o objectivo de favorecer uma determinada interpretação dos factos.
Entre as várias técnicas de spin, utiliza-se frequentemente o "cherry picking", que consiste em usar selectivamente os factos ou números que suportam uma posição, ou o lançamento de um facto positivo que desfocalize de notícias menos favoráveis, etc.
Tudo temas que hoje são mais que debatidos e até identificados por não profissionais como técnicas, contestáveis ou não, mas dentro da verdade, mesmo que uma verdade parcial.
Para mentiras e falsidades o nome é outro, bem mais simples: mentirosos.
Se a "fonte" da Lusa inventou um facto, essa fonte não fez spin. Mentiu, simplesmente.