Comunicadores: Uma Associação que não seja um acerto de contas

 

Anda uma discussão interessante num grupo fechado do Facebook chamado Comunicadores acerca da eventual constituição de uma nova associação profissional do sector do Conselho em Comunicação e Relações Públicas.

 

Aproveito o espaço deste blogue para deixar algumas das minhas opiniões acerca deste tema, sintetizando, aliás, ideias e argumentos que tenho expressado ao longo do tempo:

 

1º - O Conselho em Comunicação e Relações Públicas, por força da atividade das Consultoras instaladas, conquistou notoriedade e atenção nos últimos anos. Tem estado a atrair clientes, a gerar negócios e a mobilizar profissionais. Ainda bem.

 

2º - Ao mesmo tempo, e como é natural, tem estado a suscitar o nascimento, a um ritmo anormal para o estado económico do País, de novas empresas e a atrair profissionais de outras atividades.

 

3º - Como profissional (antigo), empresário (consistente) e empregador (ativo), sinto necessidade de ver separado o trigo do joio, isto é, que sejam dadas ao Mercado indicações objetivas sobre as empresas e os profissionais envolvidos.

 

4º - Perdi a esperança de que tais indicações partissem da APECOM, associação que perdeu toda a idoneidade desde que foi tomada de assalto por interesses particulares.

 

5º - Também não me revejo na APCE, que é, no fundo, a associação das entidades e dos profissionais que são clientes das consultoras. É de elogiar que os nossos clientes tenham conseguido organizar os seus interesses de Comunicação, mas isso nada tem a ver com os nossos interesses.

 

6º - Também a APAP, apesar de alguns esforços recentes, tem manifesta dificuldade em atrair Consultoras de Comunicação e continua a ser uma associação focada nos interesses das Agências de Publicidade que, em termos das disciplinas de Marketing, olham para nós como seus concorrentes – e não como aliados.

 

7º - Aqui chegados, não entendo que seja possível – nem útil para o sector – a criação de uma associação alternativa à APECOM e de génese empresarial / patronal. Estou, aliás, convencido de que algures no futuro próximo haverá o bom senso e a coragem de libertar a APECOM dos interesses particulares que a dominam e que ela voltará a representar o nosso sector.

 

8º - Resta a alternativa de criar uma associação dinamizada por profissionais que estabeleça um conjunto de regras relacionadas com o exercício da sua atividade. Uma associação que defenda os interesses dos profissionais de Conselho em Comunicação e Relações Públicas e que sirva de interface entre os mesmos, as consultoras e a Academia.

 

9º - Uma associação deste tipo tem de ser especialmente exigente com os critérios de formação e profissionais e fazer pressão para que as Consultoras de Comunicação também o sejam. Se for para manter a porta franqueada a todas as permissividades (como é, infelizmente, um hábito em Portugal), o melhor será deixar a situação tal como se encontra.

 

10º - As questões éticas são igualmente essenciais, mas trata-se das questões éticas das práticas profissionais. Não estou a ver o sentido de defender que as Consultoras restrinjam as suas práticas empresariais (nomeadamente em matéria de preço, que é um factor relevante das práticas empresariais) nem que seja restringido o direito de expressão aos Consultores, designadamente aqueles que têm maior protagonismo público.

 

11º - Criar uma associação focada na defesa dos interesses profissionais dos nossos consultores e das nossas empresas (que são os mesmos...) é, em si, uma iniciativa relevante e que colmatará uma lacuna evidente. É de tal forma necessária e relevante que se basta a si própria, não sendo necessário pretender atribuir-lhe outras competências ilusórias ou divisionistas.

 

12º - Criar essa associação profissional não pode ser um acerto de contas. Nem um acerto de contas com a APECOM nem comigo, nem com as “injustiças da vida”, nem com os clientes ou os concorrentes.

 

13º - Criada a associação não se julgue que entramos todos para o mesmo seminário e que passamos a rezar a mesma oração todos os dias à mesma hora.

 

14º - O objectivo é, pois, mais simples e, ao mesmo tempo, mais importante: credenciar os profissionais, habilitar os cursos, certificar as consultoras. Numa palavra, dignificar a parte do nosso sector que merece ser dignificada e dar indicações consistente ao Mercado.

publicado por lpm às 10:20 | link deste post | comentar