Ordem Profissional, especialização e correlativos

Estou 200 p.c. em desacordo com o que escreve atelles. Não por causa da eventual Ordem Profissional dos Consultores de Comunicação, assunto acerca do qual não possuo a informação necessária para formar uma opinião decente. Mas, isso sim, no que respeita à especialização da nossa atividade.

 

Vamos por partes. Imaginemos que uma organização decide contratar serviços de assessoria jurídica. O que faz? Dirige-se a uma sociedade de advogados e espera que o seu projeto seja acompanhado por um… advogado. Ou, então, que as suas necessidades são de engenharia. Seria possível admitir que a prestação de serviços de engenharia fosse executada por um Licenciado em Comunicação? É claro que não.

 

Então, porque se admite que a Consultoria de Comunicação possa ser exercida por licenciados em Direito, em Engenharia, em Arquitetura?

 

Uma coisa é alguém ter, no passado, decidido tirar um determinado curso e com o tempo o seu percurso ter sido alterado e, portanto, ter substituído a formação académica por formação profissional.

 

Coisa bem diferente é podermos entender que a nossa atividade profissional de Consultores ser algo tão genérico, tão senso comum, tão ao alcance de todos que não temos de ser exigentes com os respetivos currículos.

 

Aceito ainda que houve tempo em que, por via de atraso na oferta académica, a nossa profissão foi preenchida por profissionais provenientes de outras formações. Era também o tempo em que os nossos clientes – isto é, aqueles que connosco lidavam em representação das organizações com quem trabalhavámos – eram, eles próprios, advogados, engenheiros, economistas, etc.

 

Hoje em dia, tal não ocorre. Os clientes recrutaram especialistas em Comunicação, Marketing, Relações Públicas para as suas próprias organizações. Pelo que o mínimo da nossa consistência como Consultores de Comunicação é apresentarmos, nesse diálogo, equipas com formação específica e curríuculo adequado.

 

Há dias, num concurso em que a LPM esteve envolvida, fiquei surpreendido por apenas a nossa proposta apresentar uma equipa constituída por licenciados em áreas relacionadas com a nossa atividade.

 

Ora, se há algo em que, nós, os profissionais portugueses de Public Relations, devemos intervir é exatamente na exigência de habilitações específicas, sejam elas académicas, sejam elas profissionais.

 

Por isso, não tendo, como disse atrás, opinião formada acerca da Ordem Profissional, defenderia a sua criação se tal significasse a homologação daqueles daquelas que estão habilitados e habilitadas a exercer a nossa profissão.

publicado por lpm às 05:12 | link deste post | comentar