Um despacho da Reuters

 

Agora que as grandes agências noticiosas são acusadas de manipular informação (mais rigorosamente, de serem manipuladas) e que "Lincoln" é um dos filmes do ano, gostaria de ver um "biopic" de 1940 que não encontro disponível em nenhum formato: A Dispatch from Reuters.

 

O filme, de fraco êxito comercial (apesar do protagonista ser o grande Edward G. Robinson) conta a vida do senhor Paul Julius Reuter, que deu nome a uma das mais famosas agências de notícias do mundo. Hoje Thomson Reuters, e creio que a maior do planeta.

 

Para além de uma interessante evolução do negócio dos despachos noticiosos, que passou dos pombos-correio para o telégrafo entretanto inventado, e que ia levando o Sr Reuter à bancarrota, o filme conta os dois grandes trunfos que recuperaram a empresa e a tornaram líder mundial.

 

A primeira foi o sucesso alcançado com a distribuição do discurso de Napoleão III, praticamente em tempo real ao da sua apresentação (eu sei, este "tempo real" faz sorrir). Mas o grande impulso para o domínio informativo da Reuters foi a notícia da morte de Abraham Lincoln, que ele conseguiu distribuir na Europa mais cedo que os seus concorrentes.

 

ironicamente, Reuter foi acusado de dar informação priviliegiada aos seus clientes (jornais e banqueiros), que souberam antes do público em geral (e dos governos) do assassinato do presidente americano, o que lhes terá dado vantagem na venda antecipada das suas acções na bolsa de Nova Iorque.


Presente em mais de 200 cidades em 94 países, incluindo uma redacção em Portugal, a Reuters tem políticas editoriais controversas, sendo a mais interessante (e irritante para os americanos) o facto de se recusar a utilizar o termo "terrorista" nos seus despachos. 

publicado por Alda Telles às 09:00 | link deste post | comentar