Isabel Jonet não me lê, mas também não lê o Papa

"O silêncio fala – o nosso silêncio pode exprimir a proximidade, a solidariedade e a atenção aos outros."- Bento XVI

 

Isabel Jonet não me lê. O que é uma pena. Mas também não lê o Papa, o que me consola. Depois do último post aqui, Jonet deu uma entrevista ao Expresso e outra à RTP, com evidentes propósitos de "damage control" razoavelmente conseguidos.

Seguiu-se um êxito pacífico de mais uma acção de contribuição popular nos supermercados e tudo parecia estar bem quando acaba bem.

Mas não, Isabel Jonet não resistiu a nova investida, hoje publicada no "i".

E lançou um tema polémico, imagine-se, nesta altura do campeonato, no hiper-sensível domínio semântico. Pôs em confronto caridade e solidariedade. Pôs a carga do amor caritativo como a mão desinteressada (e religiosa) por oposição à frígida (tradução minha) solidariedade social, termo politicamente correcto e hoje em dia universal. Pôs a funcionar aquilo que em psicologia se chama dissonância cognitiva. Reconfortou quem deu por caridade e irritou quem deu por solidariedade.

E assim, com uma pequena picardia semântica, aparentemente provocada pelo jornalista do "i", temos a presidente da mais reputada e reconhecida instituição de apoio social a dividir novamente a opinião pública.

Desisto, Isabel Jonet parece ter decidido enveredar pela posição politica. E, como dizia hoje Pedro Santos Guerreiro no seu mural do facebook, pode "prejudicar quem beneficia de ambas", entendendo-se que as motivações políticas de quem dá tanto podem ser a solidariedade como a caridade.

Apelo pela última vez a Isabel Jonet, completando ecumenicamente a citação de Bento XVI com um insuspeito, porque anónimo e muito antigo, provérbio chinês: A palavra é prata, o silêncio é ouro. 

Em comunicação, dizemos de forma mais simples que o silêncio pode ser comunicação eloquente.

publicado por Alda Telles às 22:25 | link deste post | comentar