Isto Cheira-me a Cacharel ou Do Marketing Virulento

 

"Isto cheira-me a Cacharel". Apanhei  esta frase no facebook do jornalista Rui Oliveira Marques, a propósito de uma notícia de desporto que lhe parecia “cozinhada”.

Parece-me resumir bem o efeito da acção de marketing "virulento" que explodiu ontem nos media.

 

Não é a primeira vez, nem será a última, que é criada uma acção de marketing com propósitos “virais” que começa com um teaser, seja um spot de televisão, um  filme no youtube ou uma história no facebook produzido pela marca mas onde a marca não é identificada. Não foi por aí que a Cacharel foi original.

 

A grande originalidade está no facto desta acção ter sido apropriada pelos media e pela sociedade como uma verdadeira história de cinderela. E da marca nada ter feito para a abortar, evitando os danos de reputação  que veio a sofrer, como a criação de uma página de ódio  no facebook , no mesmo sítio onde tinha gerado uma página de amor colectivo. O viral tornou-se virulento.

 

No final, este pesadelo comunicacional resumiu-se em duas comunicações patéticas, por parte da marca e por parte do meio de comunicação que mais se envolveu nesta história, a TVI.

 

Diz a porta-voz da marca que esta era  "uma campanha que se pretendia de marketing digital", mas que extravasou as redes sociais, tendo saído "do controlo das equipas". "Não havia intenção de gerar notícia e acabou por ultrapassar os limites" do digital.” (Tradução: quiseram acreditar na história, azar o vosso).

 

A TVI pediu desculpas aos telespectadores, proclamou-se enganada e rematou com um conpungente  “Não desistiremos de encontrar um Ricardo e uma Diana verdadeiros”. (Tradução: continuaremos a deixar-nos enganar, se é disso que o nosso povo gosta, e depois pedimos desculpa).


Fica a sensação que, como vem sendo hábito a todos os níveis da sociedade, ninguém aprende com os seus erros. O que nos deixa uma triste perspectiva do futuro.

 

 

 

Actualização: a peça de "mea culpa" da TVI

http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/13711179

publicado por Alda Telles às 22:16 | link deste post | comentar