Os novos oráculos

Foi uma grande animação, o fim do dia de sexta-feira com a "gralha" no´oráculo da SIC, analisada aqui por Nuno Azinheira. Quero, porém, ao contrário de Azinheira, acreditar que houve subversão digital nesta gralha. Imaginemos um insersor de caracteres (é assim que se chama esta arriscada profissão) a controlar-se durante vinte anos para não ceder à gralha fácil. O último dia do líder da CGTP era uma tentação, convenhamos.

 

Independentemente das razões serem mais ou menos fortuitas, o que este pequeno caso revelou é a importância e o poder do insersor de caracteres. Por uma letra, ou a sua omissão, se comunica. O poder de tirar essa letra está no insersor de caracteres. E não deixa de ter piada os titulos que acompanham uma peça televisiva se chamarem oráculos.

 

Lembraram-me que um ritual subversivo dos tipógrafos, durante a ditadura, era retirar o "n" às Contas Gerais do Estado. Os tipógrafos eram uma das profissões mais politizadas da época e detinham o poder das gralhas que passavam na censura. Esta gralha da SIC deverá ser vista por Carvalho da Silva como uma homenagem à democracia.

 

Os insersores de caracteres são os novos tipógrafos. A luta adapta-se aos novos meios de comunicação.

 

publicado por Alda Telles às 13:49 | link deste post | comentar