Insegurança

Vou falar de uma insegurança que não tem a ver com a onda de assaltos, ou "carjacking", ou roubos de caixas multibanco. Tem a ver com a onda de insegurança provocada por uma política de comunicação que, em vez de gerir expectativas e procurar criar um sentimento positivo, cria angústias e atira as pessoas ainda mais para baixo do que já estão. O início da semana foi marcado por afirmações de que estariam para chegar mais medias de austeridade, que o Orçamento de Estado, cuja execução começou há menos de meio mês, já tem potenciais desvios que não teriam sido calculados e que, assim sendo, havia que procurar mais receitas para tapar esses desvios. Para a praça passou a ideia de que Vítor Gaspar, afinal, não era perfeito e que também se enganava a fazer as contas. Com o seu ar de sempre, o próprio veio dizer que as causas indicadas não provocarão medidas adicionais de austeridade, mas disse-o de uma maneira que deixou um portão escancarado para que surjam outras quaisquer medidas de austeridade. A palavra austeridade está no ponto em que provoca medo. Todos os dias desta semana surgiram notícias de redução de postos de trabalho em empresas privadas de razoável dimensão; outras preparam-se para fazer cortes salariais. E no Estado, quando se começa a cortar a sério? O maior problema de comunicação deste Governo é que as suas únicas estratégias conhecidas baseiam-se em austeridade e mais impostos. Além da dívida, não se vê uma estratégia, um objectivo, um plano e a forma de o executar. Se existe, não é comunicado.

publicado por falcao às 17:07 | link deste post | comentar