Brian Solis em Lisboa: a revelação

 

Faz um ano precisamente por estes dias que Brian Solis esteve entre nós para participar, como cabeça de cartaz, no Upload Lisboa. Pensava eu que tinha sido apenas mais uma conferência da vida de conferências do guru do digital. Mas não.

 

Logo a abrir “The End of Business as Usual”, o livro que acaba de editar, Solis ressalva a importância da sua estada na capital portuguesa.

 

Relata assim um jantar com 20 dos “leading digerati” nacionais. Digerati, um elogio elegante, é uma simplificação da original digiterati, a qual, como se percebe, refere a élite da indústria digital.

 

Nesse jantar, Solis encontrava-se em desvantagem relativamente aos nossos digeratis (ou será digeraties?). Todos eles estavam equipados com portáteis e placas 3G, enquanto o guru, coitado, não conseguia aceder à net porque o restaurante não tinha Wi-Fi.

 

Não tinha Wi-Fi, apressa-se Solis a sublinhar, “but they did serve great food!” (frase boa para o Turismo e a autoestima tuga).

 

Qual o problema? O bom do guru não tinha nada para fazer – além de comer, beber e conversar – e os nossos digeratis, esses, entretinham-se... a postar.

 

Quando dirigi toda a minha atenção para os meus novos amigos, descobri, com surpresa, que eles tinham as cabeças apontadas para baixo na direcção dos seus colos, escreve: Alguns estavam a tuitar o evento, outros trocavam mensagens com amigos, uns poucos checavam os emails e o facebook”.

 

Havia mesmo os que, para espanto de Solis, estavam no google à procura de referências em tempo real aos seus nomes. Eu calculo quem tenha sido...

 

E assim Brian Solis decidiu captar a atenção dos seus companheiros de jantar unindo-os, não apenas numa conversa limitada à mesa do restaurante, mas alargada a todos aqueles com quem trocavam mensagens e aos que os seguiam através de posts e tuites.

 

Aprendi então algo interessante, acrescenta: É impossível captar a atenção de uma mesa de pessoas tentadas pelo mobile, mas se formos capazes de trocar experiências conseguimos ligar-nos não apenas às pessoas que estão connosco à mesa como também àquelas com quem elas estão a contactar”.

 

Foi para mim o início de uma realização que veio a afectar o meu trabalho”, conclui. 

 

Bonito, não é? 

publicado por lpm às 17:30 | link deste post | comentar