Os tubarões da comunicação não tuitam

 

Parece ser na essência uma questão geracional, mas o facto dos patrões dos gigantes Publicis e WPP rejeitarem o Twitter não deixa de causar estranheza. Mais ainda quando as principais razões invocadas são a "falta de tempo" e "o desinteresse em partilhar informação pessoal", como afirmaram numa conferência organizada pela Reuters.

Felizmente, as suas equipas - e nomeadamente as das relações públicas - sabem que as redes sociais são hoje uma ferramenta incontornável de comunicação e engagement com os consumidores e outros stakeholders.

Claro que as empresas de comunicação podem trabalhar activamente contas dos seus clientes nos novos media, sem terem as próprias marcas uma presença e influência nos mesmos. É o eterno problema da casa de ferreiro espeto de pau. E, de facto, as agências estão tão ocupadas a promover perfis de marcas, personalidades e eventos que não lhes sobra tempo para pensar nos seus próprios perfis. São muito raros o casos em que as agências conseguem manter uma presença constante e pertinente nas redes, até porque geralmente não têm ninguém dedicado à sua marca como têm para as marcas clientes.

Também é verdade que os perfis corporativos de agências são geralmente pouco interessantes. Muito mais interessantes são os perfis dos profissionais e dos dirigentes. Gostamos mais de seguir e falar com pessoas que com empresas. Quando se trata de pessoas que consideramos especialistas numa matéria, gostamos de partilhar os seus pensamentos, as suas leituras e que nos indiquem as tendências e o que vale a pena seguir. Melhor ainda, gostamos de poder discutir com eles e fazer-lhes perguntas. E, indirectamente, ligamo-nos à empresa e às marcas que representam.

E por isso não deixa de ser estranho que os gurus da comunicação, mesmo que de uma geração não "digital native", proclamem com tanta ingenuidade a sua resistência às redes sociais.

 

publicado por Alda Telles às 09:00 | link deste post | comentar