A reciclagem da presidência da APECOM e a desejável extinção da mesma

Há várias semanas que circula o rumor de que algumas consultoras de Comunicação estão a equacionar a extinção da APECOM, a associação do sector.

 

Tem sido dito que o eventual fim da associação, que ajudei a fundar, fica a dever-se às dificuldades económicas da mesma, dificuldades essas decorrentes da redução do número de membros que mantêm as suas quotas em dia. 

 

É provável que o sector não tenha ficado, neste final de ano, imune ao mau estado geral da economia nacional, assim como se pode constatar a redução do número de consultoras activas.

 

No entanto, creio que a crise actual da APECOM se fica a dever à herança da última presidência e à falta de distanciamento dos actuais corpos sociais face aos episódios eticamente reprováveis do passado recente da associação.

 

Não nos podemos esquecer que a APECOM foi instrumentalizada, anos a fio, pelo anterior presidente da direcção, aliás com a cumplicidade activa e sonora de meia-dúzia de associados e a cumplicidade passiva e silenciosa de todos os outros.

 

O episódio do registo, em nome de uma empresa desse presidente associativo, dos prémios que valorizavam o posicionamento de outra empresa desse mesmo indivíduo acabou por precipitar o afastamento de alguns associados e a saída de outros, mas, fundamentalmente, constitui uma mancha gigante no tecido ético da associação, com a agravante de que nada foi ainda feito para a limpar.

 

Pelo contrário, pudemos assistir ao processo vergonhoso que levou aqueles que mais comprometidos estavam com a presidência sucateira da APECOM a se cooptarem de forma a perpetuar o seu domínio da associação fugindo a sete pés de um processo eleitoral clarificador. 

 

Estamos, portanto, num mero processo de reciclagem da anterior presidência.

 

São eles, aliás, os mesmos que aplaudem (e, num caso ou noutro, apoiam judicialmente) o ex-presidente da APECOM no processo que moveu contra aquele que teve a firmeza  de denunciar o grave atropelo ético, que ficou mais do que demonstrado, e a sua tentativa de encobrimento.

 

É por estas razões que considero que seria positivo para o sector do Conselho em Comunicação a extinção da APECOM.

 

A associação está ferida de morte na sua credibilidade e aqueles que hoje a dirigem, porque não têm coragem de cortar com o passado, acabam por ser, afinal, os seus coveiros.

 

Para que serve uma associação inactiva e manchada pela falta de ética dos seus dirigentes? Para promover o sector do Conselho em Comunicação não é. 

publicado por lpm às 07:20 | link deste post | comentar