O trabalho do grupo de trabalho

Pontos positivos do relatório sobre o grupo de trabalho para a definição de serviço público em comunicação: a defesa da não concorrência do Estado com os privados neste sector, nomeadamente na esfera do mercado publicitário; a recomendação de que se privilegie a auto-regulação e que o arranjo político da ERC seja extinto; uma informação televisiva construída do ponto de vista da notícia e não do espectáculo ou do comentário.
Pontos negativos: ter preferido a forma ao conteúdo (número de canais e sua tipologia) a uma definição mais explícita e contemporânea de conteúdos na rádio e na televisão e, nesta medida, o relatório é muito mais um documento de conselhos tácticos ao Governo do que uma reflexão estratégica, que continua por fazer; e ter praticamente ignorado a evolução tecnológica e a transformação de todo o panorama audiovisual no seu cruzamento com o multimedia.
Em termos de definições gerais o relatório resume apenas o que o anterior grupo de trabalho sobre a  matéria fez há dez anos, apesar da radical transformação de todos os media - e aqui o estudo do que deve ser a presença do serviço público de informação no digital é a lacuna mais gritante.
Em boa medida este é um relatório de conjuntura, redigido para dar resposta às perguntas do momento e às opções que a RTP e o Governo já puseram em prática sobre a publicidade, a informação, a produção de conteúdos e a privatização.
Falta benchmarking em relação ao que está a ser feito por esse mundo na convergência audiovisual/multimedia na esfera pública, há uma ordem de elencagem de conteúdos de referência pouco ajustada às realidades do mercado, há apenas referências de passagem ao papel estratégico do serviço público na manutenção da nossa presença audiovisual e multimedia no mundo contemporâneo.
Claramente foi dedicado mais tempo e esforço à televisão (até pelas tais razões de conjuntura), a análise da rádio parece um pouco atabalhoada e incompleta (e não é por acaso que há uma declaração de voto do profissional de rádio que integrava o estudo) e a parte referente à agência Lusa é demasiado confusa e ligeira.
publicado por falcao às 10:40 | link deste post | comentar