EDP: O case study do case study

Queria deixar aqui uma breve reflexão sobre o "Caso EDP", para (pelo menos minha) memória futura. Este caso é, creio, inédito no panorama das redes sociais nacionais. Se a chuva de ataques a que a página da empresa foi alvo depois de ter apagado um post teve um sabor a déjà-vu do famoso "Caso Ensitel"-  que se tornou o primeiro case-study de crise nas redes sociais, já a eliminação da página da EDP foi uma novidade.

O caso EDP tornou-se assim uma espécie de case study de case study. Os "gurus" das redes sociais estavam preparados para comentar tudo menos esta decisão radical.

Penso que este post do Luís Paulo Rodrigues resume bem a frustração de quem acompanha estas coisas da comunicação empresarial. Para além de investimento e estratégia, a presença das empresas nas redes sociais exige capacidades de gestão de crise. A suspensão de uma página até pode ser uma decisão estratégica para minimizar danos, mas é uma capitulação pública. Resta ainda saber se foi uma decisão consensual ou uma reacção de pânico de uma empresa em processo de privatização.

 

Para a tal memória futura, gostaria apenas de reter três notas:

1. As empresas que operam em situação de monopólio ou oligopólio dificilmente são "gostáveis". Ao mínimo sinal negativo, os "fãs" da empresa tornam-se inimigos de sangue

2. Empresas que operam em áreas em que têm lobbies entre os seus stakeholders, estão sujeitas a comentários "profissionalizados" nas suas redes sociais. Foi aparentemente o caso do comentário "ambiental" apagado que desencadeou a crise.

3. Nenhuma empresa está imune a situações semelhantes. Um gestor de comunidade senior, experiente, dotado de bom senso e com acesso directo aos decisores é um investimento imprescindível das empresas.

 

Nota marginal: este fim-de-semana, em Braga, fonte conhecedora do processo garantiu-me que a metalomecânica "O Feliz" recebeu 2,5 milhões de euros de indemnização da EDP.

publicado por Alda Telles às 19:31 | link deste post | comentar