Palpitações de Verão (sobre o serviço público de televisão)

Respondendo ao repto (não quero imaginar como se escreverá repto com o acordo ortográfico) do meu blogmate lpm, e não dispondo de qualquer benefício de um fim-de-semana comprido, uma vez que me encontro em gozo de merecidas férias, acrescento aos seus palpites apenas algumas palpitações:

 

1. Não acredito que a RTPN subsistirá. Por duas ordens de razões, para simplificar: a noção de serviço público de informação não existe no grupo de trabalho a não ser como concorrência desleal e distorcida (a favor do governo) e há que compensar os operadores privados, designadamente a SIC com a SIC Notícias, que lidera o cabo. (sobre a rtp internacional, não tenho nenhuma palpitação, pelo que compro o palpite de lpm).

 

2. Não acredito que o Professor Duque e  comunicólogo José Manuel Fernandes - embora declarados de espírito aberto na comissão que integram mas que já expressaram repetidamente a sua oposição a um serviço público prestado por uma entidade pública - aceitassem em circunstância alguma integrarem o que quer que venha a ser o serviço público de televisão nas mãos do estado.

 

3. Admito que o serviço público de televisão, nas mãos do estado. resultará num único canal misto de informação/documentário/cultura (não me peçam definição de cultura, por favor), o que redundará num excesso de meios técnicos e humanos na actual estrutura da RTP.

 

4. O ponto anterior leva-me à questão do que vai o estado fazer com o excesso de meios que resultará de um redimensioanamento da RTP. O lpm fala de alienação da RTP1, eu falaria antes da venda de uma terceira licença de televisão. Penso que é disso que estamos a falar, não de privatização. Neste sentido, colocam-se-me diversas interrogações: qual o preço-base de venda desta licença? Estará incluído no pacote um conjunto de meios técnicos e humanos de elevadíssima qualidade? Ou teremos a cedência de um terceiro canal de televisão em jeito de golden share "devolvida de borla ao mercado"?

 

5. Por contas feitas há uns tempos com um querido amigo do meio televisivo, a minha palpitação é a seguinte: bem vendida a terceira licença de operador de televisão comercial, que pague as necessárias rescisões da RTP e assegure a alocação eficiente dos meios disponíveis, mantendo a taxa de audiovisual, o serviço público de televisão continuará nas mãos do estado. Tendo que assegurar o serviço da dívida, sem receitas publicitárias, custará cerca de 100 milhões de euros anuais ao orçamento de estado.

 

6. E é este número redondo que acabo de escrever que deverá ditar todas as decisões. Valerá mais manter o serviço público de televisão com receitas de publicidade, sem abrir um terceiro canal comercial e poupando o orçamento de estado, ou assume-se os cem milhões como o preço a pagar pelo serviço público de televisão?

 

7. Estou descansada, porque o grupo de trabalho que está a pensar nisto tudo é liderado por um reputado economista.

 

8. Quanto ao almoço no Gambrinus, estou a tentar averiguar junto do roc do lugares comuns se entra em despesas de representação.

publicado por Alda Telles às 23:03 | link deste post | comentar