Especulações sobre o futuro serviço público de TV

 

Estive a analisar com atenção os nomes das individualidades que constituem a comissão nomeada pelo governo para propôr um novo modelo de serviço público de TV. E, partindo das ideias conhecidas dos membros que conheço, dei por mim a especular sobre quais serão as conclusões que a dita comissão entregará. Eis as minhas especulações:

 

1. A comissão vai propôr que o serviço público de TV seja circunscrito a um único canal generalista e a um canal de informação;

2. Sendo assim, vai recomendar a alienação pela RTP do seu canal comercial - a RTP1;

3. O canal aberto de serviço público não terá publicidade e basear-se-á na actual RTP2;

4. A RTPN transformar-se-á num canal exclusivamente de informação e terá como bitola a SICN, à qual fará concorrência;

5. Portanto, se em matéria de programação o serviço público deixará de fazer concorrência aos futuros três canais comerciais, em matéria de informação o serviço público terá investimento superior ao dos actuais canais especializados;

6. A RTP Internacional poderá deixar de integrar a nova RTP, sendo criada uma empresa a ela dedicada, sendo a mesma aberta a capitais privados, num contexto de minoria e pulverização, incluindo entidades de outros países lusófonos;

7. A nova RTP Internacional, que se chamará Portugal TV ou algo semelhante, será essencialmente um canal de difusão de informação de Portugal e dos outros países lusófonos e de promoção de Portugal e das suas actividades, empresas e protagonistas.

 

A indicação dos membros da referida comissão também faz pressupôr que já estão identificados três elementos-chave do futuro serviço público: o académico João Duque como presidente e os comunicólogos José Manuel Fernandes e Eduardo Cintra Torres como directores de informação e de programas, respectivamente.

 

Quanto à nova TV comercial, registo as diligências que me dizem estar a ser desenvolvidas por António Mexia, nas vésperas de a EDP mudar o controlo accionista, o qual já anunciou o seu interesse em presidir a uma empresa de televisão.

Como é sabido, o presidente da EDP contratou recentemente um concorrente meu que trabalha com a Ongoing (cujos interesses em TV são conhecidos), mas que foi substituído na Sonaecom - uma entidade que Mexia gostaria de ver integrar um consórcio por si liderado e que contaria com a presença de investidores angolanos.

 

Sobre este assunto, desafio os meus blogmates Alda Telles e Manuel Falcão a deixarem aqui os respectivos palpites, sendo que fica desde já apostado um almoço no Gambrinus em como o principal  titular do futuro novo canal comercial será a PT.

 

Disclaimer: Estas especulações foram reunidas num daqueles fins-de-semana compridos e monótonos de Verão :)  

publicado por lpm às 09:48 | link deste post | comentar