RTP, Serviço Público, Política Cultural e audiovisual

Retomo o tema deste meu post, de há uma semana atrás. Uma questão interessante, que se prende com o que está definido com o Programa do Governo no caso da RTP, é a ligação do serviço público de televisão com uma política de desenvolvimento do audiovisual - e não só do cinema, que aparece, de passagem, referido na parte de Cultura do dito Programa, com uma referência à ligação do cinema ao serviço público e privado de televisão em Portugal.

 

Mas ainda não foi desta que, em vez de se pensar apenas numa redutora política de cinema, se passou a falar de uma necessária política de audiovisual que integre as várias componentes que utilizam imagem em movimento e que são, no mundo contemporâneo, fundamentais para a preservação da Cultura e da língua.

 

Esta ligação devia passar pela aposta na produção externa independente, nomeadamente na área do documentário e da ficção de época, que os canais privados têm menos interesse em fazer por questões que se prendem com a audiência.

 

Se parte do financiamento da RTP fôr reprodutivo, no universo dos produtores independentes, terá um efeito multiplicador no contexto do desenvolvimento de uma indústria audiovisual, que hoje em dia não tem, centrado que está no custo estrutural e interno da RTP.

 

E a maior parte das produções externas que a RTP encomenda são na área do entretenimento - concursos, jogos de talentos ou reality shows -  longe daquilo que devia ser a matriz de investimento reprodutivo de uma estação de serviço público.

 

E neste contexto era interessante existir uma política articulada de desenvolvimento do audiovisual - e não apenas do cinema como aparentemente é o caso actual.

 

publicado por falcao às 16:00 | link deste post | comentar