Dei por mim a pensar em Braga e noutras cidades portuguesas com população mais jovem

 

Como nasceu o agora celebrado Silicon Valley? O município de Santa Clara (California) transformou-se no maior centro de tecnologia de informação do Mundo quando o magnata dos caminhos-de-ferro e senador Leland Stanford decidiu construir uma universidade nos terrenos de uma antiga exploração de cavalos. “A vida é, acima de tudo, prática; estão aqui para se prepararem para uma carreira útil”, proclamou na inauguraçãoda universidade de Stanford.

 

Em “Triumph of the City” (a minha leitura de fim-de-semana), Edward Glaeser, sustenta que é “o capital humano, muito mais do que a infraestrutura física, que explica o êxito das cidades”.

 

De uma maneira geral, a quota de população com grau de ensino superior é utilizada para avaliar o nível de qualificação de determinado lugar. Embora se possam encontrar casos relevantes que constituem excepções, o melhor indicador para explicar a prosperidade urbana é o da qualificação académica dos seus habitantes.

 

Nos Estados Unidos, demonstra Glaeser, um aumento de 10% de população com diploma universitário em 1980 em determinado local traduz-se num acréscimo de 6% no crescimento do rendimento entre 1080 e 2000.

 

À medida que a percentagem da população com formação universitária cresce 10% o produto por capita da área metropolitana aumenta 22% - acrescenta.

 

O papel da formação traduz-se também na própria atracção das cidades. Nos EUA, entre 1970 e 2000, as cidades com mais de 10% de população universitária registaram um crescimento populacional de 72% enquanto as cidades com menos de 5% de licenciados cresceram apenas 37%.

 

“Vivemos numa idade de conhecimento na qual qualificação e rendimento estão intimamente ligados”, lê-se em “Triumph of the City”: “Por cada trabalhador, um ano extra de formação equivale, em média, a cerca de mais 8% de rendimento. Em média, um ano extra de formação da população representa, para uma cidade, mais de 30% de acréscimo do seu produto bruto per capita”.

 

Edward Glaeser chama ainda a atenção para as “human capital externalities”: quando uma cidade se torna mais qualificada, os seus cidadãos usufruem da sua própria formação mas também da formação superior de todos os outros com os quais interagem.

publicado por lpm às 08:52 | link deste post | comentar