Domingo, 06.05.12

Voilà, c'est fini

 

 

Foi esta a legenda para a imagem acima que um jornalista francês deixou no twitter. Uma terrível imagem de fim de festa, também da festa mediática. O momento que os assessores do candidato perdedor nunca querem viver. C'est fini. Et c'est la vie.

 

PS: Deixo também aqui uma análise interessante que aponta cinco razões para a derrota de Sarkozy: a crise, a impopularidade, a subestimação do adversário (o erro político mais grave e mais comum), uma campanha tardia e mal preparada e a falta de convicção da própria direita.

 

 

 

 

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atelles às 23:26 | link deste post | comentar
Terça-feira, 01.05.12

A revolução do Skip

 (foto retirada do twitter de @boloposte)

 

A acção promocional hoje realizada pela cadeia de supermercados Pingo Doce foi uma boa ideia para a imagem da marca Pingo Doce? É uma pergunta que só daqui a uns tempos terá resposta. E essa resposta apenas o Pingo Doce a terá, pois provavelmente não partilhará os resultados das sondagens de opinião que irá realizar.

 

Apenas me posso imaginar na pele do decisor de marketing, antes e durante a acção.

 

Antes, terá pesado os prós e contras da iniciativa.

 

Prós:

- Notoriedade absoluta da marca

- Satisfação dos consumidores

- Eventual captação de novos clientes

 

Contras:

- Resultado financeiro da operação, face às margens baixas do sector

- Reacção eventual dos outros players do sector (concorrência, fornecedores, autoridades)

 

Durante, e face aos distúrbios que ocorreram, o decisor de marketing apercebeu-se que:

- Não tinha previsto correctamente a afluência

- Esqueceu-se de garantir reforço de segurança que, segundo os relatos, teve de intervir em cima dos acontecimentos.

- Tomou a decisão correcta de antecipar o encerramento das lojas,

mas não conseguiu evitar um buzz negativo.

 

O que eu acho que o decisor de marketing também não teve em conta na sua análise:

- A leitura política da iniciativa (reacções das centrais sindicais e sectores políticos de esquerda, atribuindo-lhe o carácter de provocação e aproveitamento da situação débil dos consumidores)

- A consistência da comunicação.

 

Este último ponto será eventualmente o mais fraco desta acção. A linha de comunicação do Pingo Doce, muito eficaz, centrou-se até agora na luta contra as promoções pontuais, destacando a prática diária de preços mais baixos, como este apanhado de spots (a circular muito hoje nas redes sociais), e o terceiro em particular ilustra. Esta promoção veio quebrar essa consistência.

 

Creio que, qualquer que venha a ser o resultado desta acção de marketing, o Pingo Doce vai ter de mudar a sua linha de comunicação. Um grande desafio para marketers e criativos.

Domingo, 15.04.12

Qual foi a parte que não perceberam?

Em declarações à RTP, sobre o "Caso Cardinal" Godinho Lopes afirma, ao longo de 1:37 e em oito frases:

 

- "O Sporting não está ligado a nada"

- "O Paulo é uma pessoa que me parece de total confiança"

- "Estou completamente convencido que isto não vai beliscar o Sporting"

- "... que não se misturasse o nome do Sporting neste processo"

- "O Sporting não foi acusado de nada"

- "O Sporting não está envolvido em nada"

- "O Sporting não tem rigorosamente nada a ver com esse tema".

 

Em media training, esta "técnica" chama-se matracagem e diz que produz resultados espectaculares. Not.

Terça-feira, 03.04.12

Pessoalmente gosto mais da Leopoldina

 

A ERC deliberou sobre uma queixa apresentada por leitores da revista Notícias TV (suplemento comum do DN e do JN) que publicou pelo último natal uma entrevista a uma mascote chamada Popota. Dizem os queixosos tratar-se de publicidade encapotada a uma marca de distribuição e a ERC acaba por lhes dar razão.

Mas vale a pena ler a deliberação, partilhada aqui  pela Maria João Pires. Tem muito "food for thought" sobre a evolução dos critérios que definem o interesse noticioso ou jornalístico, ficando bem patente que esses critérios estão em acelerada evolução.

Tentando fugir a uma análise apreciativa ou moral - até porque a entrevista pareceu servir os interesses quer da agência quer dos meios que a publicaram - apenas registo que o infotainment veio para ficar. E que cada vez é mais difícil definir interesse público, quando os actores da comunicação e dos media valem pelo seu impacto e popularidade junto do público. 

Vale também a pena notar que os personagens de ficção não se resumem a figuras de animação. Quando assistimos todos os domingos a um talkshow como o de Marcelo Rebelo de Sousa, inserido num telejornal, onde se misturam livros, cantores, análise política, futebol e familiares do entertainer, como classificar esse momento televisivo? Não será Marcelo também um personagem de ficção?

Quarta-feira, 21.03.12

O problema dos 5 mil amigos do Facebook e como resolvê-lo

 

Houve um dia na minha vida em que atingi os 5 mil amigos do Facebook. Que chatice. Nunca mais posso ter amigos novos – pensei eu.

 

Deixei passar uns dias, a lista de convites foi-se acumulando e decidi tomar a primeira medida: eliminar os amigos comerciais, associativos e outros que me utilizavam como público. É um critério muito objectivo e que produz excelentes resultados.

 

A cena voltou à normalidade durante um par de semanas. Quando voltei a esgotar a lotação, fui mais seletivo e fui eliminando, à medida que chegavam convites, os amigos da onça. É um critério muito selectivo (que envolve pesquisa, más recordações e coisas assim) e que produz resultados modestos.

 

Entretanto, fui reparando que, de vez em quando, registavam-se debandadas massivas de amigos – massivas é um exagero mais assim uma meia-dúzia de cada vez.

 

Essas debandadas correspondiam a apontamentos meus do género "politicamente incorrecto".

 

Por isso, agora sempre que me deparo com dois ou três convites de amigos que quero aceitar, puxo da pistola e deu um tiro no correcto.

 

Estabeleci mesmo uma tabela empírica que passo a partihar.

 

Defender José Sócrates custa 10 amigos. 

 

Defender o Governo Passos Coelho, incluindo a senhora Merkel, custa 8 amigos.

 

Defender os bancos, 7 amigos.

 

Defender a audimetria, 6 amigos.

 

Defender a RTP (excepto se for por causa da audimetria), 5 amigos.

 

Defender, como vêem, é a palavra chave.

 

Portanto, meus amigos, sempre que se quiserem ver livres de amigos desatem a defender qualquer coisa.

 

Porque, nesta coisa das amizades do Facebook, o melhor ataque é a defesa. 

Dos fundamentos do negócio do Jornalismo

1. O Jornalismo é uma atividade económica. Exige investimento. Gera custos e receitas. Tem lucros (retribuição do investimento).

 

2. O Jornalismo tem duas classes de potenciais receitas: o pagamento do consumo pelos clientes do Jornalismo; o investimento em Publicidade como contrapartida da atenção dos consumidores que o Jornalismo atrai.

 

3. São raríssimos os casos em que os consumidores de Jornalismo estão disponíveis para pagar os custos do Jornalismo.

 

4. A maior parte do negócio do Jornalismo (em muitos casos, como a TV, a totalidade) é financiada pela Publicidade. 

 

5. Quanto maiores forem as receitas geradas pela Publicidade, de melhor qualidade é o Jornalismo. 

 

6. Infelizmente a inversa também é verdadeira.  

 

7. Só existiria uma alternativa a este cenário: que os consumidores de Jornalismo estivessem dispostos a pagar mais do que pagam (em muitos casos nada) pelo Jornalismo.

 

8. Infelizmente, a tendência é a oposta.

lpm às 07:15 | link deste post | comentar
Sábado, 17.03.12

Ao marido da Srª Borges não basta parecê-lo

Tenho por princípio não pôr em causa a honestidade e seriedade de ninguém, salvo por provas irrefutáveis. Seguindo este princípio, não questiono nem um segundo a seriedade do Dr. António Borges. Menos ainda a da empresa Jerónimo Martins, que nada tem a ver com isto.

 

Mas não me parece, quando estão em causa as últimas grandes transferências do estado português, que o responsável pelo processo das últimas privatizações do país possa considerar defender ou dedicar-se a qualquer outra coisa que não a causa pública.

 

Ainda menos me parece que o primeiro-ministro responsável pelas últimas grandes opções do estado português não exija essa dedicação a quem nomeia para esta missão. 

 

O modelo liberal deste governo fica ferido de morte nas suas duas premissas essenciais: a regulação e a arbitragem. 

atelles às 14:49 | link deste post | comentar
Segunda-feira, 12.03.12

Liçãozinha da Amazon em como tratar um Cliente

 

Na noite passada descobri que o disco 2 do DVD Deadwood The Complete First Season não funcionava em nenhum dos meus 2 leitores. Não percebi qual o problema, alguma coisa relacionada com o formato.

 

Hoje de manhã, escrevi para a Amazon UK a relatar o sucedido e a propor que me enviassem um novo exemplar do disco acidentado.

 

Enquanto tomava o pequeno almoço, a Amazon UK escreveu-me assim:

  1. Desculpas pelo sucedido
  2. Vamos enviar o DVD completo
  3. Não pedimos a devolução porque os custos são proibitivos
  4. Sugerimos donativo a uma caridade
  5. E toma lá o link para poderes acompanhar a encomenda.

E pronto. Palavras para quê?

lpm às 09:25 | link deste post | comentar
Sábado, 10.03.12

O ciclo do populismo

 

Primeiro, criam-se super Ministérios. Depois, diminuem-se os quadros de pessoal afetos à ação política do Governo. Antes e depois baixam-se as retribuições dos assessores e adjuntos e opta-se por não contratar consultoria externa. Agora, conclui-se que o Primeiro-Ministro foi mal preparado para o debate parlamentar.

lpm às 08:23 | link deste post | comentar

Buffet sobre o Washington Post: Estes dentes são de leite

 

No início dos anos 70, quando comprou 10% das ações do Washington Post, Warren Buffett teve de explicar que a sua intenção não era vir a controlar a proprietária do jornal.

 

“Estes dentes são de leite mas quando olha para eles parecem-lhe ser presas de lobo”,  dizia o investidor lendário de Omaha à lendária presidente da companhia, Kay Graham.

 

A verdade é que a rábula dos dentes e sucessivos juramentos de que não tencionava vir a controlar a companhia foram insuficientes para descansar os jornalistas do Post.

 

Por isso, Buffett teve de escrever uma carta formal comprometendo-se a não comprar mais ações sem expressa autorização de Graham.

 

Eram outros tempos. Agora, com a desvalorização da indústria dos Media, os jornalistas do Post, os administradores e os outros acionistas pedem a Buffet, que, há 6 meses, deixou o conselho da companhia, para que não venda as suas ações.

 

E vai vendê-las, pergunta-lhe Sarah Ellison, na última edição da Vanity Fair? “A resposta é que não vou. Tenho recursos para poder ser sentimental”. 

lpm às 08:14 | link deste post | comentar
Sexta-feira, 09.03.12

O regresso do ditador Ben Ali

 

Excelente esta acção de "PR Stunt" que valeu à Ogilvy Tunisia dois prémios de ouro no Dubai Lynx. Toda a explicação no filme e aqui.

atelles às 13:07 | link deste post | comentar

Um oráculo ultrapassado pelos acontecimentos

Fez bem a blogmate Alda Telles em lembrar este post .

 

Agradecendo a minha elevação a oráculo , sou forçado a dizer que falhei grosseiramente. Como podem ler eu falava do universo dos espectadores por subscrição. E aí as falhas do novo sistema de audimetria deixam marca: ao contrário do que seria de esperar, nao há um aumento significativo do peso dos canais de cabo no novo sistema de mediçāo e isto acontece porque há um número demasiado elevado de audiência nāo identificada, o que provoca sobretudo uma má mediçāo do cabo. Por alguma razāo, aliás,  a SIC Notícias caíu de um constante quarto lugar para o oitavo ou nono neste universo.


Infelizmente nem nos meus momentos de maior imaginação conseguia prever os 12 por cento de audiência não identificada que a gfk reporta e também nunca imaginei que a mesma gfk conseguisse ter - nas curiosas palavras do Director da CAEM - tanta gente acamada a ver televisao 24 horas por dia. Tudo junto e extrapolado afinal as minhas previsōes estavam furadas com estas estranhas novidades que a nova mediçao de audiencias trouxe...

 

Mas agradeço à mesma os elogios recebidos.

falcao às 09:34 | link deste post | comentar
Quinta-feira, 08.03.12

E não é que falcao acertou? Ou o apagão revisitado

Vou convidar o falcao para meu parceiro do Euromilhões.

Uma história exemplar

Ontem, no S. Jorge, em 50 minutos vi a descrição exemplar da cultura de uma empresa, a forma como os seus artesãos se apaixonam pelo trabalho, como convivem pessoas das mais diversas origens e experiências, todas com o objectivo de fazerem o melhor. É raro encontrar um filme assim, sobre uma empresa, em que a marca quase não aparece, em que os líderes não são os protagonistas da história, mas sim as pessoas que manufacturam os produtos que criam fama e riqueza à empresa. À Hermés.


O documentário é um exemplo de comunicação da imagem de uma empresa, da importância de contar uma história, da identificação dos valores que fazem uma marca. Chama-se «Les Mains d'Hermès». E podem vê-lo aqui.

falcao às 11:59 | link deste post | comentar
Quarta-feira, 07.03.12

O papel da mulher e a Comunicação de Crise


 

A convite da Escola Superior de Comunicação Social, participei ontem numa conferência sobre “A Crise, os Media e a Comunicação”. Foi uma excelente oportunidade para expor perante os futuros profissionais os condicionalismos (os negativos e os positivos) que rodeiam o nosso mercado e, de facto, os vários protagonistas envolvidos (do jornalismo à publicidade passando pela tutela política e os agentes empresariais) conseguiram criar um ambiente de grande franqueza e transparência.

 

Pela minha parte falei, naturalmente, do mercado do Conselho em Comunicação e da importância que as nossas competências assumem num período de crise (não só financeira), em que as organizações são forçadas a avaliar previamente os riscos mediáticos das suas iniciativas.

A dada altura veio à baila o problema do impacto nos media sociais da Comunicação Empresarial e da dificuldade que as mesmas têm em enfrentar a propagação viral negativa que algumas das suas iniciativas provocam.

 

Um dos presentes deu um exemplo. É um daqueles casos infelizes em que – como se costuma dizer – alguém quis brincar com coisas sérias.

Ocorreu-me responder que não é preciso um consultor de Comunicação experiente e treinado nem fazer reuniões de grupos de foco para se antever os resultados que aquela infeliz ideia de Comunicação iria produzir.

 

E eis que, poucas horas passadas sobre esta conversa, deparo com uma polémica relacionada com a infeliz rotulagem de uma linha de calças para homem.

 

O autor do rótulo – para se fazer de engraçado – escreveu que, quando for a altura de lavar as calças “Give it to your womam (because) it’s her job”.

 

Como? Não houve ninguém na organização que tivesse antecipado os problemas que esta afirmação iria produzir? Ou, feita uma análise de custos/benefícios, entendeu-se que a publicidade negativa incrementaria a notoriedade e as vendas? 

lpm às 10:13 | link deste post | comentar
Quinta-feira, 01.03.12

Os três porquinhos e o novo jornalismo

 

Este anúncio do Guardian (o meu jornal britânico de referência, aproveito para dizer), para além da sua enorme criatividade reproduz de forma brilhante a nova realidade do jornalismo. A "notícia" é hoje um "conteúdo" que se desmultiplica, é partilhado e comentado nas redes sociais. Uma notícia pode "explodir" num movimento em rede que ultrapassa fronteiras. E quando falo de fronteiras, falo de fronteiras geográficas, morais e sociais. 

"Wake up and smell the bacon". É assim que acaba no filme a história dos três porquinhos. E é muito bom.

atelles às 14:16 | link deste post | comentar
Terça-feira, 28.02.12

Descubra as diferenças

 

 

Primeiro estranhei ver uma fotografia de perfil de Sarkozy na sua nova conta do Twitter, criada para a campanha eleitoral. Mandam as regras que os candidatos olhem de frente, com olhar simultaneamente franco, leal, sereno e positivo para os seus potenciais eleitores.

Depois fui ver a conta Obama Biden, criada com os mesmos objectivos.

E percebi tudo. Incluindo as semelhanças despudoradas e as diferenças abissais.

E você, que diferenças encontra?

 

 

 

atelles às 22:33 | link deste post | comentar

A brief history of Public Relations

 

 

Numa excelente infografia, a empresa de monitorização de media Press Index faz uma resenha histórica da indústria de relações públicas. A história vai desde o termo "Propaganda" cunhado no século 17 pela Igreja Católica até à criação do conceito PR 2.0 por Brian Solis no final do século 20. Thomas Jefferson terá sido a primeira pessoa a usar o termo Public Relations, num discurso ao Congresso e a primeira agência de RP nasceu em 1900 nos Estados Unidos. São ainda evocados os grandes protagonistas da indústria, como Ivy lee e Edward Bernays. Por ser uma história contada na óptica anglo-saxónica, tem uma falha grave: não menciona lpm.

atelles às 20:15 | link deste post | comentar
Segunda-feira, 20.02.12

Doutores engenhosos e doutores mentirosos

 

Já tinha avisado o Rui Calafate que ia escrever sobre isto. O Rui escreveu um post no seu blog e depois na briefing, a propósito da "fonte próxima da direcção do Sporting" que, aparentemente, induziu a Lusa em erro, ao atribuir as razões da dispensa de Domingos Paciência a contactos com o FCP. No caso, o Rui defende a identificação da fonte pela Lusa.

 

Mas não é sobre esse tema que eu quero falar.

Do que discordo, em ambos os textos do Rui Calafate, é da sua utilização do termo "spinning" e "spin doctor", associando-os à transmissão de mentiras, falsidades e difamações.

É uma associação recorrente, e a vox populi gosta de associar as chamadas agências de comunicação e os chamados assessores de imprensa a práticas pouco éticas. Não nos cabe a nós, profissionais, cavalgar nessa onda.

Acontece que o trabalho de mentir, falsear e difamar não corresponde ao termo. Os spin doctors, de que o nosso antepassado Edward Bernays é o expoente máximo, não mentem, trabalham a informação "de forma criativa", com o objectivo de favorecer uma determinada interpretação dos factos. 

 

Entre as várias técnicas de spin, utiliza-se frequentemente o "cherry picking", que consiste em usar selectivamente os factos ou números que suportam uma posição, ou o lançamento de um facto positivo que desfocalize de notícias menos favoráveis, etc.

Tudo temas que hoje são mais que debatidos e até identificados por não profissionais como técnicas, contestáveis ou não, mas dentro da verdade, mesmo que uma verdade parcial.

 

Para mentiras e falsidades o nome é outro, bem mais simples: mentirosos.

Se a "fonte" da Lusa inventou um facto, essa fonte não fez spin. Mentiu, simplesmente.

Segunda-feira, 06.02.12

Madonna, a minha 1ª professora de Marketing, merece tudo

lpm às 17:48 | link deste post | comentar
Sexta-feira, 03.02.12

O apagão

Até ao fim do mês de Fevereiro grande parte da população portuguesa ficará sem o tradicional sinal hertziano de televisão – é o apagão que traz a Televisão Digital Terrestre, que em Portugal é um saco de promessas inteiramente vazio. No final deste processo vai ser interessante analisar o aumento de clientes nos fornecedores de televisão por assinatura, nomeadamente o MEO e a ZON.

 

Em muitas regiões estão a registar-se novas adesões a estes operadores a um ritmo invulgar – o que se explica por ofertas promocionais de baixo custo e que, essas sim, proporcionam uma diversidade e variedade que a TDT devia oferecer e não oferece. Recordo que hoje em dia, na oferta básica do Cabo, existem, para além das televisões generalistas (RTP1, RTP2, SIC e TVI) mais oito canais nacionais de acesso geral e gratuito  (SIC Notícias, SIC Mulher, SIC Radical, RTP N, RTP África, RTP Memória, TVI 24 e Económico TV), para além de uma série de outros canais programados para Portugal, desde o Panda ao Hollywood, passando pela MTV, os canais Fox, o AXN, o National Geographic, o História o Biography, etc. E já nem falo de canais com preço extra, como os da Sport TV.

 

Acontece que estimativas modestas apontam para um aumento considerável do número de espectadores que, no final deste processo (vamos dizer no final do primeiro semestre, quando as coisas estabilizarem), deverão estar entre os 65 a 75% do total do universo de telespectadores.

 

Ora isto quer dizer que centenas de milhar de pessoas passam rapidamente de uma escolha entre quatro canais para uma escolha para pelo menos meia centena de programas diferentes, apenas por decidirem aderir à TV por subscrição em vez de usarem a TDT.

 

O efeito prático disto é que inevitavelmente as audiências dos quatro canais generalistas vão cair mais depressa do que se pensava – e o país vai andar a duas velocidades dramaticamente diferentes. Eu aposto que quando o processo estiver estabilizado e o novo sistema de medição de audiências estiver a funcionar (se conseguir funcionar, mas isso é outra história…) teremos, no universo dos utilizadores de TV por subscrição, o canal líder nos 20% de audiência e a RTP por volta dos 15%. É um mundo novo, que há-de ter consequências…

 

Keep Calm and have a drink

Na crise está sempre uma oportunidade. Deve ter sido isso que viram os monárquicos para, numa altura em que todo um continente está à deriva, lançarem um manifesto pela restauração da monarquia.

Irei pois com grande curiosidade assistir ao debate promovido pelo BAR-man João Gomes de Almeida esta noite no Frágil. Não sei se tem presença confirmada, mas o debate que mais me entusiasmaria seria o do José Adelino Maltês com o José Adelino Maltês, que tinha há uns dias a seguinte posta no facebook: "Para os devidos efeitos, reafirmo que não faço parte, como sócio ou dirigente, de nenhuma associação republicana nem monárquica. Mas nem por isso deixo de reivindicar a minha qualidade de republicano e monárquico. Assumindo a necessidade de restaurarmos imediatamente a república. Para podermos, livres, assumir a libertação. Sou contra os monárquicos que apenas são anti-republicanos e contra os republicanos que apenas são anti-monárquicos. Isto é, contra os que, matando o rei, assassinaram a república. Prefiro o armistício moral da paz dos bravos, em nome da pátria."

 

atelles às 14:41 | link deste post | comentar
Domingo, 29.01.12

Os novos oráculos

Foi uma grande animação, o fim do dia de sexta-feira com a "gralha" no´oráculo da SIC, analisada aqui por Nuno Azinheira. Quero, porém, ao contrário de Azinheira, acreditar que houve subversão digital nesta gralha. Imaginemos um insersor de caracteres (é assim que se chama esta arriscada profissão) a controlar-se durante vinte anos para não ceder à gralha fácil. O último dia do líder da CGTP era uma tentação, convenhamos.

 

Independentemente das razões serem mais ou menos fortuitas, o que este pequeno caso revelou é a importância e o poder do insersor de caracteres. Por uma letra, ou a sua omissão, se comunica. O poder de tirar essa letra está no insersor de caracteres. E não deixa de ter piada os titulos que acompanham uma peça televisiva se chamarem oráculos.

 

Lembraram-me que um ritual subversivo dos tipógrafos, durante a ditadura, era retirar o "n" às Contas Gerais do Estado. Os tipógrafos eram uma das profissões mais politizadas da época e detinham o poder das gralhas que passavam na censura. Esta gralha da SIC deverá ser vista por Carvalho da Silva como uma homenagem à democracia.

 

Os insersores de caracteres são os novos tipógrafos. A luta adapta-se aos novos meios de comunicação.

 

Sexta-feira, 27.01.12

Rui Rio na Monocle

 

Issue 50 - February 2012

 

A edição de Fevereiro da revista “Monocle” é dedicada ao poder da atitude na negociação: sorrir, ser honesto, ser verdadeiro, ser amigável e ser gentil são as recomendações da «Monocle» que elege a palavra “charm- encanto” como a chave para os novos tempos. Outros temas em destaque são a cidade chinesa de Harbin, no norte da China, que está a ter um enorme desenvolvimento, a riqueza petrolífera do Gana e a transformação que a cidade brasileira de Santos está a viver. 

 

A presença portuguesa cabe a Rui Rio que numa curta entrevista explica a importância da reabilitação da baixa do Porto. E uma das escolhas do mês para a “Monocle” é o restaurante «Book», do grupo Lágrimas, concebido pelo arquitecto Pedro Trindade.

 

A grande entrevista vai para a mayor de Houston, que na cidade do estado do petróleo, o Texas, apostou nas energias renováveis e nas minorias. Annise Parker, uma lésbica assumida há mais de duas décadas, tem uma agenda de mudança e tolerância inesperada para uma cidade como Houston e a sua actuação está a ser estudada por todos os que seguem a forma como as cidades podem ser governadas.

 

Para seguir o tema de capa, do “charm-encanto”, a Monocle escolhe os dez locais mais encantadores – de um comboio a um edifício de escritórios, passando por ruas, cidades, hotéis, restaurantes e cafés. A cidade escolhida foi Hamburgo, o Hotel foi o Fasano, em São Paulo, e o restaurante a Osteria della Viletta, numa pequena cidade perto de Milão.

 

Finalmente o suplemento do mês é um excelente guia de viagem ao Japão, que se recomenda a todos os que planeiem uma viagem a oriente. Diz quem conhece o Japão que este é dos melhores guias práticos que se podem encontrar. Só por curiosidade, esta é a edição 50 da «Monocle», cada vez mais indispensável.

 

(In "A Esquina do Rio", Jornal de Negócios, às sextas)

falcao às 11:19 | link deste post | comentar
Terça-feira, 24.01.12

Comunicação precisa de Relações Públicas

 

 

 

 

 

 

O blog Aventar lançou um concurso para eleger os blogs do ano 2011. Este blog passou à segunda fase, e desde já agradecemos os votos dos nossos leitores e respectivas famílias, quanto mais não seja para nos incentivarem nesta nobre missão de mandar postas.

 

Mas o que realmente interessa para este nosso interesse comum, a comunicação, é o facto de esta ter sido a típica categoria a meio da tabela em termos de votações. O tema "Comunicação e media" não logrou arrebatar mais de 969 votos (dos quais certamente dois terços de colaboradores, amigos e familiares dos comunicadores) contra os 4540 votos da categoria "Desporto" ou os 2412 dos "Diários Íntimos e Pessoais" ou mesmo os 1884 votantes em "Moda". Terão os bloggers destas categorias mais amigos? Virão de famílias numerosas?

 

Não creio. A minha explicação é que esta nossa área da Comunicação - que entre estudantes, professores, profissionais e interessados junta uns bons milhares de pessoas, na sua generalidade interessadas em blogs - é composta por gente-casa-de-ferreiro-espeto-de-pau. Salvo raras excepções, as pessoas da comunicação gostam de promover tudo menos a sua área de trabalho e de conhecimento. Fazem tudo pelo cliente, muito pouco por si mesmos. Debatem mercado, concorrência, media mas raramente sabem defender e explicar aquilo que fazem.

 

Pela mesma lógica, os blogs que trazem temas da sua área não são para ser referidos. Lêem-se solitariamente, não se discutem, não se partilham. É assim aqui e em toda a parte. Um post recorrente em blogs de relações públicas é "Cansado de ter de explicar o que faz um profissional de comunicação e relações públicas?". Parece ser uma doença mais ou menos crónica.

 

Dito isto, a parte boa é que estão entre os finalistas os meus blogs de leituras diária, PiaR, Comunicação Integrada e It's PR Stupid. Verdadeiro serviço à comunidade e aos que gostam e partilham o seu gosto pela comunicação.

Serviço público de informação

 

Quando escrevi este post, subitamente no verão passado, esqueci-me de reflectir sobre o serviço público de rádio.

atelles às 12:10 | link deste post | comentar
Segunda-feira, 23.01.12

O novo rosto da News Corporation

Parece saído da série Dallas ou da North and South. Na realidade, é cada vez mais a face pública e privada de Rupert Murdoch. Provavelmente, o sucessor de que ninguém quer falar. Um retrato de Chase Carey  aqui.

atelles às 00:16 | link deste post | comentar
Domingo, 22.01.12

Rochester isn't the Kodak City anymore

 

O que representa o fim de uma marca como a Kodak? Muita coisa. Tudo. O fim de uma era. O fim de uma geração (a minha, que ainda tem a infância toda registada em Kodak e Super8). É o ínício do fim de Rochester como a cidade da imagem. É, de alguma forma, o fim de um certo mundo.

 

Para mais tarde recordar, aqui deixo alguns dos belíssimos anúncios que tornaram a fotografia popular, com headlines tão bons como "Let Kodak Tell the Story", "Let the Chidren Kodak", "Kodak as You Go", "Kodak Keeps the Story".

 

Storytelling, um conceito tão na moda? A Kodak já o conhecia.

 

 

 

 

 

 

Mais anúncios aqui.

atelles às 17:51 | link deste post | comentar
Domingo, 15.01.12

Uma cidade será uma startup?

E se os presidentes de câmara olhassem para as suas cidades como um empreendedor olha para uma empresa que fundou e tivesse as mesmas preocupações: o que fazer para atrair pessoas, atrair talento, disponibilizar o que tem procura? Jon Bischke escreveu aqui sobre este tema.

Sexta-feira, 13.01.12

Insegurança

Vou falar de uma insegurança que não tem a ver com a onda de assaltos, ou "carjacking", ou roubos de caixas multibanco. Tem a ver com a onda de insegurança provocada por uma política de comunicação que, em vez de gerir expectativas e procurar criar um sentimento positivo, cria angústias e atira as pessoas ainda mais para baixo do que já estão. O início da semana foi marcado por afirmações de que estariam para chegar mais medias de austeridade, que o Orçamento de Estado, cuja execução começou há menos de meio mês, já tem potenciais desvios que não teriam sido calculados e que, assim sendo, havia que procurar mais receitas para tapar esses desvios. Para a praça passou a ideia de que Vítor Gaspar, afinal, não era perfeito e que também se enganava a fazer as contas. Com o seu ar de sempre, o próprio veio dizer que as causas indicadas não provocarão medidas adicionais de austeridade, mas disse-o de uma maneira que deixou um portão escancarado para que surjam outras quaisquer medidas de austeridade. A palavra austeridade está no ponto em que provoca medo. Todos os dias desta semana surgiram notícias de redução de postos de trabalho em empresas privadas de razoável dimensão; outras preparam-se para fazer cortes salariais. E no Estado, quando se começa a cortar a sério? O maior problema de comunicação deste Governo é que as suas únicas estratégias conhecidas baseiam-se em austeridade e mais impostos. Além da dívida, não se vê uma estratégia, um objectivo, um plano e a forma de o executar. Se existe, não é comunicado.

falcao às 17:07 | link deste post | comentar

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