Sexta-feira, 27.01.12

Rui Rio na Monocle

 

Issue 50 - February 2012

 

A edição de Fevereiro da revista “Monocle” é dedicada ao poder da atitude na negociação: sorrir, ser honesto, ser verdadeiro, ser amigável e ser gentil são as recomendações da «Monocle» que elege a palavra “charm- encanto” como a chave para os novos tempos. Outros temas em destaque são a cidade chinesa de Harbin, no norte da China, que está a ter um enorme desenvolvimento, a riqueza petrolífera do Gana e a transformação que a cidade brasileira de Santos está a viver. 

 

A presença portuguesa cabe a Rui Rio que numa curta entrevista explica a importância da reabilitação da baixa do Porto. E uma das escolhas do mês para a “Monocle” é o restaurante «Book», do grupo Lágrimas, concebido pelo arquitecto Pedro Trindade.

 

A grande entrevista vai para a mayor de Houston, que na cidade do estado do petróleo, o Texas, apostou nas energias renováveis e nas minorias. Annise Parker, uma lésbica assumida há mais de duas décadas, tem uma agenda de mudança e tolerância inesperada para uma cidade como Houston e a sua actuação está a ser estudada por todos os que seguem a forma como as cidades podem ser governadas.

 

Para seguir o tema de capa, do “charm-encanto”, a Monocle escolhe os dez locais mais encantadores – de um comboio a um edifício de escritórios, passando por ruas, cidades, hotéis, restaurantes e cafés. A cidade escolhida foi Hamburgo, o Hotel foi o Fasano, em São Paulo, e o restaurante a Osteria della Viletta, numa pequena cidade perto de Milão.

 

Finalmente o suplemento do mês é um excelente guia de viagem ao Japão, que se recomenda a todos os que planeiem uma viagem a oriente. Diz quem conhece o Japão que este é dos melhores guias práticos que se podem encontrar. Só por curiosidade, esta é a edição 50 da «Monocle», cada vez mais indispensável.

 

(In "A Esquina do Rio", Jornal de Negócios, às sextas)

falcao às 11:19 | link deste post | comentar
Terça-feira, 24.01.12

Comunicação precisa de Relações Públicas

 

 

 

 

 

 

O blog Aventar lançou um concurso para eleger os blogs do ano 2011. Este blog passou à segunda fase, e desde já agradecemos os votos dos nossos leitores e respectivas famílias, quanto mais não seja para nos incentivarem nesta nobre missão de mandar postas.

 

Mas o que realmente interessa para este nosso interesse comum, a comunicação, é o facto de esta ter sido a típica categoria a meio da tabela em termos de votações. O tema "Comunicação e media" não logrou arrebatar mais de 969 votos (dos quais certamente dois terços de colaboradores, amigos e familiares dos comunicadores) contra os 4540 votos da categoria "Desporto" ou os 2412 dos "Diários Íntimos e Pessoais" ou mesmo os 1884 votantes em "Moda". Terão os bloggers destas categorias mais amigos? Virão de famílias numerosas?

 

Não creio. A minha explicação é que esta nossa área da Comunicação - que entre estudantes, professores, profissionais e interessados junta uns bons milhares de pessoas, na sua generalidade interessadas em blogs - é composta por gente-casa-de-ferreiro-espeto-de-pau. Salvo raras excepções, as pessoas da comunicação gostam de promover tudo menos a sua área de trabalho e de conhecimento. Fazem tudo pelo cliente, muito pouco por si mesmos. Debatem mercado, concorrência, media mas raramente sabem defender e explicar aquilo que fazem.

 

Pela mesma lógica, os blogs que trazem temas da sua área não são para ser referidos. Lêem-se solitariamente, não se discutem, não se partilham. É assim aqui e em toda a parte. Um post recorrente em blogs de relações públicas é "Cansado de ter de explicar o que faz um profissional de comunicação e relações públicas?". Parece ser uma doença mais ou menos crónica.

 

Dito isto, a parte boa é que estão entre os finalistas os meus blogs de leituras diária, PiaR, Comunicação Integrada e It's PR Stupid. Verdadeiro serviço à comunidade e aos que gostam e partilham o seu gosto pela comunicação.

atelles às 13:20 | link deste post | comentar

Serviço público de informação

 

Quando escrevi este post, subitamente no verão passado, esqueci-me de reflectir sobre o serviço público de rádio.

atelles às 12:10 | link deste post | comentar
Segunda-feira, 23.01.12

O novo rosto da News Corporation

Parece saído da série Dallas ou da North and South. Na realidade, é cada vez mais a face pública e privada de Rupert Murdoch. Provavelmente, o sucessor de que ninguém quer falar. Um retrato de Chase Carey  aqui.

atelles às 00:16 | link deste post | comentar
Domingo, 22.01.12

Rochester isn't the Kodak City anymore

 

O que representa o fim de uma marca como a Kodak? Muita coisa. Tudo. O fim de uma era. O fim de uma geração (a minha, que ainda tem a infância toda registada em Kodak e Super8). É o ínício do fim de Rochester como a cidade da imagem. É, de alguma forma, o fim de um certo mundo.

 

Para mais tarde recordar, aqui deixo alguns dos belíssimos anúncios que tornaram a fotografia popular, com headlines tão bons como "Let Kodak Tell the Story", "Let the Chidren Kodak", "Kodak as You Go", "Kodak Keeps the Story".

 

Storytelling, um conceito tão na moda? A Kodak já o conhecia.

 

 

 

 

 

 

Mais anúncios aqui.

atelles às 17:51 | link deste post | comentar
Domingo, 15.01.12

Uma cidade será uma startup?

E se os presidentes de câmara olhassem para as suas cidades como um empreendedor olha para uma empresa que fundou e tivesse as mesmas preocupações: o que fazer para atrair pessoas, atrair talento, disponibilizar o que tem procura? Jon Bischke escreveu aqui sobre este tema.

Sexta-feira, 13.01.12

Insegurança

Vou falar de uma insegurança que não tem a ver com a onda de assaltos, ou "carjacking", ou roubos de caixas multibanco. Tem a ver com a onda de insegurança provocada por uma política de comunicação que, em vez de gerir expectativas e procurar criar um sentimento positivo, cria angústias e atira as pessoas ainda mais para baixo do que já estão. O início da semana foi marcado por afirmações de que estariam para chegar mais medias de austeridade, que o Orçamento de Estado, cuja execução começou há menos de meio mês, já tem potenciais desvios que não teriam sido calculados e que, assim sendo, havia que procurar mais receitas para tapar esses desvios. Para a praça passou a ideia de que Vítor Gaspar, afinal, não era perfeito e que também se enganava a fazer as contas. Com o seu ar de sempre, o próprio veio dizer que as causas indicadas não provocarão medidas adicionais de austeridade, mas disse-o de uma maneira que deixou um portão escancarado para que surjam outras quaisquer medidas de austeridade. A palavra austeridade está no ponto em que provoca medo. Todos os dias desta semana surgiram notícias de redução de postos de trabalho em empresas privadas de razoável dimensão; outras preparam-se para fazer cortes salariais. E no Estado, quando se começa a cortar a sério? O maior problema de comunicação deste Governo é que as suas únicas estratégias conhecidas baseiam-se em austeridade e mais impostos. Além da dívida, não se vê uma estratégia, um objectivo, um plano e a forma de o executar. Se existe, não é comunicado.

falcao às 17:07 | link deste post | comentar
Quinta-feira, 12.01.12

Medidas estruturantes

 

No próximo mês de Fevereiro extingue-se o posto de adido de imprensa, que Carlos Fino já acumulava com as funções de adido cultural, na embaixada de Portugal em Brasília. Também foi dispensado o adido de negócios. No fim deste mês, fecha a Livraria Camões no Rio de Janeiro. 

Espero que os brasileiros gostem de pastéis de nata. Um produto diferenciador, de acordo com as palavras agora mesmo proferidas pelo presidente da aicep. É preciso perceber de marketing internacional.

Terça-feira, 10.01.12

Breaking TVI 24

Estou a acompanhar, na medida do possível, a acção de "relançamento" da TVI24, o canal informativo por cabo que não consegue ombrear com os seus concorrentes directos, a líder SIC N e a rebaptizada RTP I. Existe claramente um plano que visa transpor para este canal a força do canal mãe, a generalista TVI. O primeiro sinal foi a omnipresença de José Alberto Carvalho nos media, desdobrado em entrevistas e auto-entrevistas. Sem dúvida o rosto indispensável à notoriedade e crediblidade do canal.

Outro lançamento interessante é o nóvel blog "Breaking the News". Intenção declarada: "Jornalistas que escrevem sobre jornalismo, notícias e o mundo dos media. Produzido e realizado pela equipa "Breaking News" da TVI24".

Tem todos os ingredientes: a vida da redacção (alimentando o nosso voyeurismo), a vida pessoal dos jornalistas (idem), o comentário politico e desportivo de circunstância, as dicas pessoais. Modelo interessante de comunicação institucional informal. Vou seguir.

atelles às 23:02 | link deste post | comentar
Quinta-feira, 05.01.12

Táxi!

Reparem bem na foto escolhida para ilustrar o artigo sobre uma colega minha de Nova York. A consultora que dirige leva o curioso nome de PR Noir. É o chamado eu-sei-o-que-quero-chique-e-em-afro-americano.
lpm às 09:30 | link deste post | comentar
Quarta-feira, 04.01.12

Organização secreta e ciência oculta.

Confesso que estou a acompanhar com ironia a cobertura mediática do dossiê "maçonaria e serviços secretos". É que, no governo anterior, a organização secreta era uma consultora de Comunicação e o Marketing fazia o papel de ciência oculta. 

lpm às 08:46 | link deste post | comentar
Terça-feira, 03.01.12

Impostos e comunicação

O caso Soares dos Santos mostra três coisas: quem tem discursos moralistas tem que ter cuidado com as acções que toma; quem faz Fundações que beneficiam de vantagens fiscais na sua actividade podia ser coerente, em relação aos benefícios que recebe, no resto dos seus comportamentos; quem toma decisões destas devia pensar na sua comunicação antes, para depois não vir com discursos atabalhoados.

falcao às 17:10 | link deste post | comentar
Segunda-feira, 02.01.12

Uma visão canadiana dos portugueses

Vídeo pescado aqui.
lpm às 10:59 | link deste post | comentar
Domingo, 01.01.12

Murdoch, she said

 

É a grande novidade do Twitter na entrada do novo ano: a chegada de Rupert Murdoch ao microblogging. Em dois dias, a conta @rupertmurdoch já soma mais de 26.500 seguidores. Há dúvidas quanto à veracidade da conta e, sobretudo, quanto à estratégia que estará por detrás dela.

Será o Twitter a melhor forma de atravessar o deserto? Talvez.

atelles às 18:50 | link deste post | comentar

Saudação utópica de Novo Ano

lpm às 11:56 | link deste post | comentar
Sábado, 31.12.11

Amor e sexo com robôs

Citação na passagem do ano: "Amar robôs será tão normal como amar outros seres humanos e serão conhecidas novas posições de fazer amor para além das normalmente praticadas entre humanos porquanto os robôs ensinarão mais do que tudo o que está publicado em todos os manuais de sexo combinado". Love and Sex with Robots, David Levy

lpm às 08:31 | link deste post | comentar
Sexta-feira, 30.12.11

Uma nota positiva para fechar o ano

Retiro este quadro de um relatório da Roland Berger que estava aqui a estudar. Sublinha que Lisboa e Amesterdão são, à distância, as duas cidades europeias com melhor performance relativa na comparação do número de turistas alojados com a população residente. É um indicador muito positivo para o trabalho continuado e persistente que se tem feito no marketing internacional de Lisboa. E que, tenho a certeza, irá melhorar no próximo ano. Boas entradas. 

lpm às 12:46 | link deste post | comentar
Sábado, 24.12.11

Presentes de última hora

Depois dos livros e dos filmes sugeridos como presente de natal aos membros do governo pelo Luis Paulo Rodrigues e pelo Rui Calafate, fica aqui a minha lista de óperas para alguns dos elementos do executivo:

 

 

Pedro Passos Coelho – Werther, no papel do próprio mas em registo de barítono (é difícil mas o papel não tinha sido escrito para ele)


Vítor Gaspar – Turandot, no papel de Amore

 

Paulo Portas – Faust, no papel de protagonista, cela va sans dire

 

Paula Teixeira da Cruz - Der Rosenkavalier, no papel de Marechala

 

Miguel Relvas – Don Giovanni, no papel de Comendador

 

Álvaro Santos Pereira - La Forza del Destino, no papel de Don Álvaro, pois claro

 

Assunção Cristas - Faust, no papel de Marguerite

 

Paulo Macedo - Le Médecin malgré lui

 

Para visonamento colectivo na happy hour do conselho de ministros, sugiro Die Götterdämmerung.

 

Feliz Natal.

atelles às 17:46 | link deste post | comentar

Cá está o tradicional filme de Natal da Coca-Cola

lpm às 08:35 | link deste post | comentar
Sexta-feira, 23.12.11

Conselho em Comunicação: as (minhas) 7 tendências para 2012

Estamos a chegar ao final de um ano de transição para a indústria de Conselho em Comunicação.

 

Tem sido um período em que debatemos intensamente a evolução da nossa actividade.

 

Nos últimos dias, com o aproximar do final do ano, têm surgido vários apontamentos com as tendências sectoriais para 2012.

 

Por isso, arrisco-me a apresentar aqui as minhas ideias de como será a evolução no futuro próximo das Public Relations no nosso mercado:

  1. A Imagem das Organizações será (ainda) mais definida pela Comunicação do que pelos Resultados
  2. A Comunicação será mais definida pelos Resultados do que pelos Valores Intangíveis
  3. Os Resultados serão avaliados em função do Impacto nos Media tradicionais e da Propagação pelos novos Media
  4. A Propagação decorrerá mais da Ideia do que a capacidade de tiro das Organizações
  5. A Formação no trabalho e a experiência actualizada serão centrais na criação da Ideia e na sua Propagação
  6. A Consultoria Estratégica será secundarizada em função da Prestação de Serviços tangíveis e com Resultados
  7. A convergência dos Media e das Ferramentas levará à convergência das Disciplinas do Marketing e ao regresso à convivência de várias Disciplinas no mesmo prestador de serviços. 
E pronto. Felicidades para 2012 (se não nos virmos antes). 
lpm às 10:39 | link deste post | comentar

A contribuição deste blogue para o espírito natalício

lpm às 09:39 | link deste post | comentar

Duas notas mentais

1. Não enviar e-mails informais aos jornalistas, sobretudo aos jornalistas amigos.

2. Propor umas sessões de media training à PSP

 

"O porta-voz da Direcção Nacional da PSP, comissário Paulo Flor, enviou a meia dúzia de jornalistas amigos um amável e-mail com timbre oficial."

atelles às 08:23 | link deste post | comentar
Quinta-feira, 22.12.11

A difícil arte de defender um logotipo

 

Este é o polémico logotipo dos Jogos Olímpicos 2012, que vão acontecer em Londres, depois de uma renhida disputa com Paris, Moscovo, Madrid e Nova Iorque. O logo foi muito discutido e criticado pelo seu design considerado demasiado arrojado. Mas venceu. E o video abaixo mostra-nos como foi brilhantemente defendido pelos criativos junto do cliente.

 

 

atelles às 09:08 | link deste post | comentar
Quarta-feira, 21.12.11

Inda vão dizer que é um problema de RP

Mas de uma crise (pequena?) viral já ninguém livra a Fedex.. 
lpm às 10:50 | link deste post | comentar

Boas Festas

Votos de Boas Festas da "equipa" de Lugares Comuns. 
lpm às 09:01 | link deste post | comentar

Dá vontade de ser jovem e de Braga

Já viram o vídeo de Braga Capital Europeia da Juventude?  
Também gosto deste: 
lpm às 08:48 | link deste post | comentar
Segunda-feira, 19.12.11

“Laranja Mecânica”, a história do jovem que amava violência, sexo e Beethoven, faz hoje 40 anos

 

Foi o Rodrigo Saraiva, que partilha comigo a paixão por "Laranja Mecânica", quem nos chamou a atenção para a efeméride: o filme de Stanley Kubrick faz hoje 40 anos sobre a sua estreia.

 

Recordo aqui porque o classifico de "o filme da minha vida" (já não me recordo onde o texto foi inicialmente publicado):

 

Existe o filme e existe a circunstância. Comecemos por esta. Os que julgam que a censura do Estado Novo era “apenas” política estão enganados. Do mesmo modo que não podíamos beber Coca-Cola, por causa do condicionamento industrial, era-nos vedado ir ao cinema ver filmes como “Último tango”, certamente por causa da cena da manteiga.

 

Foi pois com redobrado entusiasmo que, em Paris, algures no início dos anos 70, procurei a novidade de Stanley Kubrick “Laranja Mecânica”. Kubrick tinha já assinado referências cinematográficas como “Horizontes de Glória”, “Spartacus”, “Lolita” e “Dr Estranhamor”, e transformara-se, recentemente, num realizador de culto com “2001: Odisseia no Espaço”.

 

Na capital francesa, ir ao cinema era um ritual chato. Tinha de se esperar em fila, na rua, à chuva e ao frio. Os bilhetes eram caros. Os lugares não eram reservados. Quando se iniciava a projecção, parecia que tínhamos chegado ao céu passando pelo purgatório.

 

Tenho presente, logo nos primeiros minutos do filme, aquela cena em que os quatro jovens passeiam na rua deserta sem nada que fazer. Alex anseia por um catalizador de adrenalina. É então que, através de uma janela aberta, uma aparelhagem liberta o som de música clássica e ele compreende logo o que “tem” de fazer: agredir quem tem próximo, por sinal um dos companheiros. Gratuitamente.

 

Em segundos, a violência transforma-se num bailado. O ambiente é cinzento, a neblina sobrepõe-se ao céu e esconde a luz, a água do rio está escura pela sujidade. Alex e os seus “amigos” vestem fatos-macacos brancos e empunham bastões pretos. Parecem dançar. “C’ est merveilleux”, poder-se-ia ouvir alguém murmurar na sala.

 

Kubrick é um homem da minúcia e da estética. Ao escolher mostrar-nos a violência fá-lo com uma beleza e um bom-gosto chocantes. Para isso, conta-nos a história de um jovem apaixonado por sexo, agressões e Beethoven. “The old Ludwig van”, como ele gosta de dizer.

 

Chama-lhe Alex, mas é o oposto daquele Alex do romantismo saudoso dos anos 70 que o cinema nos trouxe mais tarde. A partir de um romance de Anthony Burgess, escolhe para o papel um actor desconhecido – Malcolm McDowell que, hoje em dia, usa uma barbicha branca intelectual – e transforma-o em “a wicked son of a bitch”.

 

Perfeccionista e provocador, leva-o a beber leite no Korova Milk Bar e a procurar música numa discoteca que remete para o “2001”. A cena de sexo, um “ménage à trois”, passa ao ritmo de um “Guilherme Tell” cinco vezes acelerado.  Os cenários são do género “Sgt Peppers” ou “Flower Power”, mas estão para eles como o Mal está para o Bem. O prédio onde mora tem as paredes pinchadas, o lixo amontoado, o elevador vandalizado, mas tudo num ambiente ultra-moderno.

 

Alex acaba condenado a 14 anos de prisão. Há um ministro preocupado com a relação entre a popularidade eleitoral e as taxas de criminalidades – “a violência criminal será coisa do passado” é o “sound bite” - que o torna cobaia de uma lavagem ao cérebro. A experiência condiciona-o. Deixa de se interessar pelo sexo e pela violência e, inadvertidamente, pela música. Toda a música? Não, apenas a 9ª sinfonia de Beethoven.

 

É com a 9ª que o tentam matar. Já está em liberdade transformado em herói mediático e exemplo dos resultados da nova política governamental. Descobre que os pais trocaram o coração (e o quarto) por um outro jovem. Descobre que os seus companheiros de maldade se tornaram... polícias. Rapidamente é vítima de alguns daqueles que, no passado, tinham sido suas vítimas. Resta-lhe tentar o suicídio.

 

Na cama do hospital, celebra um pacto de sangue com o ministro agora preocupado com os tablóides que o acusam de ser desumano. Tudo acaba surpreendentemente bem com muitos fotógrafos e o espectáculo do som analógico: grandes colunas (“caixas” com quase 2 metros de altura e 1 de largura), os pratos de metal e plástico nobre transparente, os gravadores de fitas de arrasto, as cassetes.

 

O realizador não se deu bem com o filme. No Reino Unido, onde viveu a maior parte da sua vida apesar de ser nova-iorquino, os jornais passaram a apelidar de “clockwork-type attack” os episódios de violência real. A exploração mediática desses casos teve um impacto devastador na sua família.“Laranja mecânica” foi retirada das salas às 61 semanas de exibição. Por iniciativa de Kubrick. 

lpm às 12:32 | link deste post | comentar

Duzentos livros de relações públicas

Perguntaram-me, há tempos, no Twitter, que livros de Public Relations poderia recomendar. Para além das bíblias reconhecidas, o blog The PR Coach acaba de compilar mais de 200 livros, que abordam temas como a própria profissão, comunicação de crise, relações com os media, comunicação interna, redes sociais e estratégia, facilmente encomendáveis pela Amazon.

São sobretudo livros de origem norte-americana, mas aqui ficam.

 

Por cá, a edição nesta área tem sido escassa. Muito recentemente, foi lançado “Mais Capital com as Relações Públicas” de João Figueiredo, presidente da Associação de Relações Públicas dos Açores, e "Marketing Interno e Comunicação", de Jorge Remondes.

Na área do marketing, não posso deixar de referir o excelente "Marketing Ombro-a-Ombro" de João Pinto e Castro, lançado esta primavera e que, através de case studies, lança pistas sobre as melhores estratégias de marketing nos social media.

 

Se quiserem contribuir com edições nacionais que me tenham escapado, deixem aqui os vossos alertas e faremos um post com todos os livros relevantes editados em Portugal.

atelles às 09:00 | link deste post | comentar
Domingo, 18.12.11

Todas as vidas políticas terminam em fracasso

 

"Todas as vidas políticas, excepto as interrompidas num momento feliz, terminam em fracasso. Essa é a natureza da política e dos relacionamentos humanos". Governador McCall Cullen (Francis Guinan) no discurso de aceitação da derrota eleitoral. Em Boss

lpm às 13:09 | link deste post | comentar

Em Política, o jogo de deitar culpas

"Em Política, o jogo de deitar culpas não tem vencedores. Só tem vencidos". Kitty O'Neill (Kathleen Roberts) em Boss.
lpm às 10:24 | link deste post | comentar

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